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sexta-feira, 11 de julho de 2008


10 de setembro
Ai minha cabeça! Existe no mundo coisa mais moralista do que ressaca? Moralismo totalmente pequeno burguês...
Segundona braba. Eu estirado na cama com vergonha do mundo...
Fim de semana teve o Congresso Nacional da organização revolucionária de jovens que eu faço parte. Discutíamos os próximos passos da nossa luta e coisas assim. Meu primeiro encontro nacional... A noite na escola em que estávamos acampados realizando o encontro houve uma festinha improvisada. Enquanto a coisa rolava descobri que em uma das salas de aula transformadas em quarto estava acontecendo um Congresso paralelo. Um congresso da Cuc. A gloriosa Cuc, como eles diziam. Central única dos Cachaceiros. E o Congresso seria pra decidir quem seria o presidente da entidade (depois descobri que todo encontro nacional que junta jovens militantes acontece um congresso igual). Chapas inscritas, o pleito é decidido de uma forma que de fato honra o nome da entidade. Os candidatos bebem cachaça até agüentar. O último que cair é o presidente. Entrei na disputa e bebi, bebi, bebi... ai acho que vou vomitar de novo...
Bom, os candidatos foram sendo eliminados um a um, e eu lá, firme e forte. Até que sobrou só eu! Escutava a galera gritando meu nome. Levantei os braços qual um Rock Balboa da aguardente.Ia gritar “Sou o novo presidente da Cuc!” Mas a frase ficou pela metade. Dei dois passos pra frente e Puf! Dei de cara no chão. Arrebentei o supercílio!
A brincadeira acabou no hospital. O mesmo onde outros candidatos também foram pra tomar glicose. Voltei ao Congresso no domingo com cinco pontos acima do olho. Um curativo e a galera me sacaneando dizendo que eu era o presidente da Puf, de cara no chão. Meus pais não querem me deixar participar de nenhuma outra atividade, pois acham que eu apanhei da repressão.
Ai, vou mesmo ter que vomitar...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Continuando a heróica publicação de trechos autênticos retirados de um diário de um jovem militante combatente pela revolução. Na linha de clássicos diários como os de Anne Frank, Nina, Luluzinha, Mafaldinha.



1º de maio
Camarada Diário
A paciência é uma virtude revolucionária!
A PACIÊNCIA É UMA VIRTUDE REVOLUCIONÁRIA!
Repito isso faz mais de uma hora.
Mas minha paciência esgotou.
Por que teve que acontecer logo comigo?
Logo eu que me preocupo tanto com as classes mais oprimidas desse país e do mundo? Fui pra passeata do Primeiro de Maio. Deixei o carro perto e fui até lá a pé. Quando voltei: CADÊ O MEU CARRO? O carro que meu pai me deu de presente. Poxa vida, tanta gente má para ser roubada e levam logo o carro de uma pessoa que luta por igualdade para todos? Será um pensamento pequeno burguês desejar o pior para os caras que o roubaram? Sábado tem curso de formação, não posso esquecer de perguntar qual a nossa posição sobre Lumpens Proletários que roubam carros.

domingo, 22 de junho de 2008

Quem nunca escreveu um diário na vida? Bom, sei, sei, muitos não escreveram. Mas outros tantos o fizeram e alguns até conseguiram descolar uns trocos com isso.
Jovens que por conta das agruras do mundo sofreram muito, mas tiveram coragem e disposição para escrever tudo o que viveram, snif. E dá-lhe Anne Frank e seu diário escrito em um cubículo em plena época nazista, e dá-lhe Nina com seu sofrimento causado pelo Stalinismo. Tudo isso regado à problemas típicos da adolescência.
Isso sem falar nos diários de Luluzinha e Mafalda. Pensando nisso tudo é que esse blog corajosamente vai começar a publicar, talvez semanalmente, esse diário, que roubamos de um jovem militante e o trazemos em primeiríssima mão!



10 de junho
Diário, camarada de lutas e aflições.
Hoje meu pai quis me encher o saco por que eu fico escrevendo em você. Falou que eu mais pareço “uma daquelas garotinhas que escrevem um Querido Diário” Pobre alienado. Ignora que Lênin, Trotsky e Che também tinham os seus diários. Mas não é por isso que eu resolvi te escrever. Na verdade ando em crise com minha mãe. Ela anda estranha e eu acho que a culpa é minha. Bom, culpa é um troço meio cristão, então corrigindo, eu acho que a responsabilidade pode ser minha. É que desde que eu trouxe uma brochura produzida pela Comissão de Mulheres da minha organização aqui para casas, minha mãe tem agido de um jeito esquisito. Não quer mais pôr comida no prato para mim, não arruma mais minha cama e tem falado até que eu deveria lavar minhas próprias roupas. Sei que a emancipação das mulheres é uma tarefa integrante da revolução, mas não precisamos exagerar. Ela diz que nem leu o tal livrinho e que na verdade está é com o saco bem cheio de mim, isso sim, mas eu não sei não. Depois que li uma frase do Lênin dizendo que “o Partido é a desconfiança organizada” aprendi a desconfiar de todo mundo. Por via das dúvidas escondo todas as publicações feministas que tinha comigo. Se Engels que era o Engels não socializou suas fábricas, por que é que logo eu vou fazer uma revolução feminista só na minha casa?