sexta-feira, 23 de maio de 2008

Homenagem às mamães


A fila para entrar no salão onde ocorria cerimônia já dobrava o quarteirão. Casamento de gente importante é outra coisa. Mas eu tinha a prerrogativa de cortar a fila. Gestantes podem fazer isso. Não que eu estivesse em tal estado interessante, mas a rata que eu trazia no bolso sim. Grávida até não mais poder. Dentro da festa tratei de me enturmar, mas logo percebi que algo estava errado. A rata estava prestes a parir.Coloquei ela sobre um guardanapo para avaliar melhor a situação. Precisava levá-la para um hospital. Um conhecido de outros tempos, desses que a gente nunca consegue entender como e porque está naquele lugar naquele exato instante, deu uma olhada rápida na futura mamãe e deu o veredicto: "Não há mais tempo para hospital. Veja, o cordão umbilical já está aparecendo!" E era facto. Algum médico presente no recinto? O parto começou ali mesmo, em cima daquele guardanapo branco e limpo. A larvas foram saindo aos montes. Sim, filhotes dela. O que faltou sair, pelas vias normais, tirei direto da barriga, como se abrisse uma tapawer. Com cuidado acomodei mãe e ninhada no guardanapo e delicadamente os guardei de volta no bolso. Alguém tentou fazer uma piada, me perguntando se esse era o ano do rato ou da rata. Sorri por educação.Sentia-me vivo com nunca. Ou pelo menos, como em poucas vezes havia me sentido.

Texto criado a partir de um sonho contado pelo João Paulo Poltronieri. Homenagem da Dona Bandalha no mês das mães.

2 comentários:

Madame Bovarrenta Cê Muá disse...

Tudo isso só pra não ser chamado de filho de chocadeira?

Berebekan Kataban disse...

Que legal!!!
Muito Legal...