quinta-feira, 27 de março de 2008

Tsurubas, mas isso são Tsurubas.


De repente eles apareceram.
Uma revoada deles
Vindo de não sei onde.
Pousando e se espalhando pela casa toda
Nos lugares mais improváveis.
Em cima do filtro de água
Da geladeira
Do sofá.
Pelas paredes.
Tsurubas, mas isso são Tsurubas.
Vieram pra dar mais cor e alegria
Para um lar em guerra
Trazendo em seus corpos, asas, rabo e bico
Partes da anatomia humana em destaque
Cacetões rígidos, periquitas abertas em copas
Ou detalhes de confronto de dois ou mais seres
Na busca por desfazer o paradigma
De que dois corpos não ocupam
O mesmo lugar ao mesmo tempo
Tsurubas, mas isso são Tsurubas.
Sim enfeitem nossa casa
Com seus corpos de papel
Adivinhando em seu nome e nas fotos
Que compôem suam plumagem
Os bacanais que virão
PS: Os Tsurubas foram concebidos e executados pelo maravilhoso amigo doidivanas, e pesquisador da cultura japonesa André Oliveira.





segunda-feira, 24 de março de 2008

O Teatro exige mas estou muito feliz


Estou muito feliz por estar nesse grupo,quando entrei estava meio assustada, porque sabia que o teatro iria exigir muito de mim.É um trabalho árduo e muito cansativo, mas vale a pena quando fazemos algo que realmente gostamos e quando estamos fazendo um trabalho do lado de pessoas maravilhosas é espetácular.Sei que as vezes o mar não vai estar pra peixe,mas quando estiver assim ainda vou insistir, porque sei que sempre vou poder contar com essas pessoas quando o meu personagem não estiver legal,sei que eles vão falar quando não estiver bom para eu aprender mais e mais.E foi isso que mais me encantou quando entrei nesse grupo,eu vi que eu tenho muito pra aprender e sei que eles vão estar lá pra me ensinar.A vida é assim feita de aprendizado de troca de união.Estamos nos unindo para montar um espetáculo maravilhoso, tem dado muito certo nos ensaios talvez porque brincamos de levar a sério e levamos muito a sério a brincadeira.E assim estamos reconstruindo algumas cenas de brinquedo de montar brinquedo,brincando e trabalhando muito.Aí galera merda pra todos nós do grupo.

Estou chegando


Fala Pessoal sangue novo na area estou chegando no dona bandalha e estou feliz da vida por estar participando desse grupo maravilhoso .

Fiquem com Deus

domingo, 23 de março de 2008

Nosso Rocky Balboa

Mais um dia de ensaio


Falta pouco e o Brinquedo vai ficar redondinho com os novos atores.

Hoje, sala de ensaio decente, luz decente e a mesma energia pra encarar o pega-pra-capar que o teatro exige.

Um outro sonho


Hospitais são sempre paisagens horríveis. Mesmo para consultas de rotina e, espero que a vida real não copie a vida em sonho, no caso de internações. Estava lá, de cama, xingando a comida do hospital, como uma boa paciente temperamental faria quando internada, prostrada numa cama, usando camisolões e com enfermeiras limpando a minha bunda a contragosto (meu e delas). Recebia poucos amigos e a visita do médico que cuidava daquelas feridas que a gente consegue ver e são bem mais fáceis de tratar. É fácil reconhecer a importância dos médicos. Eles passam por anos e anos de provação na faculdade, fazem residência, conversam sem problemas com os mortos, nos receitam remédios genéricos sem olhar na nossa cara e ainda nós pacientes corremos o risco da surpresa de pedaços de algodão no raio-x após a operação.

O médico era jovem, bem apessoado como diriam as mães e simpático. Sorriso extra-large, colgate e Listerine. No entra e sai de visitas, injeções, ele, por ignorância ou sacanagem mesmo resolve mexer em casa de marimbondo. E se essas minhas feridas, essas visíveis e – pior – as invisíveis não fossem artifício de atriz, mise-en-scene? Ah, por Dioniso. É difícil reconhecer a importância dos atores. Eles são como as filhas das putas que têm de atravessar a rua com dignidade mesmo que toda a Liga das Senhoras Católicas esteja do outro lado, gritando que sim, elas são filhas da puta e isso é um grande problema social, um cancro, uma ameaça de epidemia na cidade. Esse povo de teatro, essa grande esbórnia, que rouba um termo da medicina – catarse – pra explicar o momento final na tragédia clássica, de identificação com o personagem trágico e purgação dos sentimentos. Esses comediantes conhecidos na Grécia como upocrités, fingidores. Essa gente que faz da mentira seu ganha pão.

Respirei, sem ajuda de aparelhos. Ah, seu doutor. Não zombe disso aqui (apontei pro rosto). A gente vive de travestir a verdade em mentira. Mesmo que seja uma verdadezinha que o senhor não acredite, mesmo que equivocada, mesmo que mentirosa. E, não pense que a vida é fácil para nós, filhas das putas atores. Porque temos de transformar toda essa mentira em algo verdadeiro em uma, uma hora e meia. Todos os roxos que custaram nos meses de ensaio, as dores de cabeça, as descobertas, tudo tem de ser colocado lá, na respiração certa, na precisão do giro do mortal sem se estrepar feio. Pra contar eu preciso estar inteira, com o copo à espera da última gota, pra que tudo transborde. Em alegria-tristeza-o-que-quer-que-seja. Ah, doutor, não queira que eu seja metade disso. Eu preciso ser generosa, mesmo que o público não me entenda e venha com seu arsenal de tomates e repolhos, mesmo que a vida esteja naquela ladeira minutos antes de sair das coxias. Por isso, peço, não zombe das minhas feridas que podem ser as tuas também. O meu desserviço prestado à sociedade ajuda uns e outros a atravessarem esses corredores brancos, as filas de espera, o pavor das injeções e os diagnósticos errados.

A propósito, antes de meter fundo essa agulha ai, o senhor sabia que Tchekov era médico também?

Ensaiar, ensaiar e ensaiar


Bandalha que é bandalha é assim, ensaia em qualquer lugar...

O Dona Bandalha conta agora com a participação de dois novos integrantes, Rafa e Jeniffer. Conhecemos os dois figuras nas oficinas do CCJ e a identificação foi imediata. Com a saída de Marcelus, começamos a refazer as cenas do Brinquedo de Montar Brinquedo com eles e as coisas têm ido de vento em popa. Nesta semana, terminadas as cenas do espetáculo antigo, já vamos mandar ver nas cenas do espetáculo novo, ainda mantido em sigilo pelos bandalhas, embora a vontade de contar pra todo mundo seja grande.

Vocês podem ver os ensaios das cenas no nosso fotolog. O link (que a porcaria do Blogger não deixa colocar no post por motivos inexplicáveis) está ai ao lado.


Foto tirada no final do ensaio, quando o cheiro de pescoço já infestava o ambiente

Aniversariante do mês


Jaunzito (de vermelho) como Mestre Zaum, o mestre do Tchin Tchin Colê

Como sempre o Dona Bandalha perde a data mas não perde a chance de, mesmo que tardiamente, dar os parabéns aos bandalhas queridos.

O velhinho pisciano em questão é João Paulo Poltronieri, vulgo Jaum, que comemorou 29 anos de esbórnia e orgulho em ser olimpiense.

Parabéns ao nosso Barbacenus!

sexta-feira, 21 de março de 2008


Fuçando em algumas anotações esparsas, nos arquivos perdidos no computador, acho esse breve texto sobre os Parlapas. Eu tinha começado a escrever numa dessas noites calorentas, depois de ver alguma peça da mostra de repetório dos caras. Escrevi, fiquei de rever e never more. Resolvi publicar sem colocar mais firulas, já que a idéia era fazer uma análise da mostra toda, mas resolvi engatar o foda-se e desengavetar o meu rascunho mesmo, assim meio confuso, assim incompleto, ainda assim necessário.

Eu gosto do Possolo não porque ele me faz rir, e muito. Eu gosto do Possolo e dos Parlapas porque eles representam um projeto conseqüente e coerente de teatro, por mais deliciosamente inconseqüentes que eles sejam em cena, saravá. E, ai, como faltam pessoas com essa energia desmedida em cena, desavergonhada, que se joga sem rede de proteção. Vou me permitir uma correção: o Parlapatões é um projeto teatral e cultural conseqüente e coerente. Pois sim, há uma preocupação em todos os espetáculos mostrados na mostra de repertório que não existe e nem pode existir um grupo que deixe de levantar as mangas e não pense por uma estética e por uma ética teatral. Especialmente em um país em que a política cultural não faz questão alguma de seguir no mesmo compasso da produção e da quantidade de artistas sérios, competentes e talentosos que temos aos montes.

O Prego na Testa é o melhor e o mais redondo espetáculo dos Parlapas. Ao mesmo tempo que, de relance, possa parecer um caso à parte com relação aos demais espetáculos porque conta só com o Possolo em cena e o tom é ainda mais ácido, a proposta de “Prego” é, talvez, a mais parlapatônica: corajoso, ao rever o papel do palhaço em cena. Especialmente na cena brasileira em que ele normalmente aparece como um ser etéreo, “fofo”, sorrisinhos e inofensivo. Palhaço não é inofensivo. Algumas crianças não gostam de palhaços e podemos entender por que. O palhaço, antes de tudo, incomoda. Com o nariz ele tem a liberdade de tocar na ferida. Tem licença pra matar, como Possolo faz ao descer o cacete nos bundas gordas que vão ao teatro e se divertem doidamente na Praça Roosevelt e arredores, nas bundas gordas ainda maiores que não vão à Praça Roosevelt porque tem muito mais dinheiro pra pagar um Cirque du Soleil, Teatro Abril e outras bobagens e, puta merda, dizer que perdemos o medo e a esperança sem que caia no discurso reaça e de que estamos todos perdidos.

Porque palhaço que é palhaço ainda tem uma pontinha de esperança. Não usamos mais a estrela no peito, mas o nosso nariz ainda sim é vermelho.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Viver a vida

Um dos preferidos, senão "o" preferido, da bandalha.

Uma cena linda de Anna Karina dançando. Linda e triste.

Pois é, fazia um tempo que ela não passava por aqui...